Damião Ramos Cavalcanti

Enquanto poeta morrer, a poesia haverá de viver

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                                O Pré-sal é nosso!


            Há quem cuide das letras e também empreste talentos ao bem comum, às causas sociais, à vida política do país, o que recentemente observei em Monteiro Lobato que encontrou na nação identidade com a língua: “A pátria é o idioma”. Se estivesse Monteiro Lobato entre nós, já haveria gritado: O pré-sal é nosso! Assim, não se cansou ao conclamar os brasileiros a defenderem nossas riquezas minerais, com a conhecida bandeira: “O petróleo é nosso”. Lobato vivia corajosamente denunciando “sabotagens de entreguistas” e de estrangeiros que se empenhavam na campanha de que não existia petróleo no Brasil. Alertou Getúlio Vargas sobre o conluio de “diretores estrangeiros”, então representantes do truste, dentro do Conselho Nacional de Petróleo. Explicou de onde partiam as cobiças alienígenas das nossas riquezas, a quem se prestavam “os serviços da firma Malamphy & Oppenheim para apossar-se das terras petrolíferas brasileiras”. Por tais motivos foi perseguido, preso, mas nunca se calou.
           Nesse sentido, pouco tem falado a imprensa sobre as investidas contra o “Pré-sal”. Inicialmente foi propagado que o “Pré-sal” era invencionice; depois que seria impossível sua exploração; em seguida, que nada se faria, sem entregarem essas minas à exploração estrangeira. Isso pouco difere da situação do petróleo nos tempos de Monteiro Lobato, quando se dizia que o Brasil não seria capaz de extrair petróleo. Dias atrás, li, enquanto a mídia só noticia e abundantemente o “Lava Jato”, que silenciosamente alguns deputados e senadores “tramam entregar o Pré-sal para os estrangeiros”. “O projeto do Senador Serra (PSDB/SP) pune a Petrobrás por reservar a si o direito de exploração e transfere a exploração exclusiva do pré-sal às grandes petroleiras estrangeiras”, quando tais serviços, se necessários, deveriam ser contratados pela Petrobrás apenas como serviço ao petróleo brasileiro, aos brasileiros.
          Ainda mais, alardeiam que os corruptos, que se aproveitaram da imensa riqueza da Petrobrás, esvaziaram os poços da Petrobrás; passam-nos a imagem de uma Petrobrás fraca, irrecuperável, de pouco valor no mercado, oferta inevitável aos que querem ser donos do petróleo dos brasileiros. Insistia Lobato a Getúlio: “Nunca me afastei desse ponto de vista: Ferro e petróleo, só firmada nessas duas potências, nossa Terra poderá vir a ser alguma coisa (...)”. Monteiro Lobato personifica no Jeca um rurícola fraco, desnutrido, mas recuperável. Ao contrário, a Petrobrás não é um “Jeca”; ela está forte, promissora e querida pelos seus donos, os brasileiros, unidos como o idioma à pátria... 
Damião Ramos Cavalcanti
Enviado por Damião Ramos Cavalcanti em 03/07/2015
Alterado em 03/07/2015
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