Damião Ramos Cavalcanti

Enquanto poeta morrer, a poesia haverá de viver

Textos


                       O  nosso tradicional Natal

          Seguir a tradição é  andar por um caminho que está previamente ou muito previamente aprovado para se caminhar: bom, objetivo e que nos leva, seguramente, aonde queremos chegar. Essas estradas são percorridas muito antes de termos nascido; usadas, passo a passo, pelos nossos ancestrais, como se fossem consagrados hábitos das nossas famílias, da nossa sociedade que, culturalmente, escreveu um roteiro a ser seguido, e, espontaneamente, temos tido o costume de segui-lo. Mas há bifurcações no caminho, nossa existência é cheia de vias ou forças contrárias entre si, como a da conservação e a da mudança ou a da estabilidade e a da instabilidade. Coisas necessárias e inevitáveis...
           Contudo, para que mudar a prática de um bom hábito? Os bons hábitos, geralmente,  tornam -se virtudes; e, os maus, vícios...  Esses, sim, mostram-se passíveis de modificação, de correção para o nosso próprio bem. É isso evoluir: não aventurar modificações ou mudar por mudar, mas preservar  o que nos indica o bem viver; evitar o equívoco de que toda mudança sinaliza desenvolvimento; porém, respeitando as necessárias transformações  ao nosso aperfeiçoamento. Nesse caso, tudo que acontece, mesmo que nos incomode, faz parte do caminho ao que o antropólogo e teólogo Pierre Teilhard de Chardin  chamou de "ponto ômega, ápice da vida e da criação": esperançosamente esse é o destino da evolução humana.
           A experiência nos ensina que inovar simplesmente por inovar não traz melhoria às nossas vidas. Há quem troque, por curiosidade,  a sensação de aventurar "o novo" para apenas  substituir o  "velho",  menosprezando acertos, afinidades e existenciais consequências que resultaram daquilo que é bom, como é o caso da família e das nossas vivências familiares.  Assim, por amor de Deus, não se modifique o nosso tradicional Natal, trocando-o por tolas inovações, compra-compra de bugigangas, bagatelas e quinquilharias. Quanto às transformações em  frágeis  vasos de argila, entreguemo-nos às mãos do Oleiro.     

 
Damião Ramos Cavalcanti
Enviado por Damião Ramos Cavalcanti em 22/12/2017
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