Damião Ramos Cavalcanti

Enquanto poeta morrer, a poesia haverá de viver

Textos


                         Mulheres unidas, uni-vos!
 
          De tanto serem ultrajadas, humilhadas e diminuídas em relação aos homens, as mulheres se conscientizaram de que são elas próprias que devem lutar e conquistar o direito inalienável e sagrado de serem iguais aos homens. E aí, elas se uniram e estão à caça de quem abrir a boca, desqualificando-as e diminuindo-as nesse legítimo direito. Altivamente gritam: Basta! Repudiando e rechaçando qualquer violência, seja por ação, seja por palavra ou por qualquer simbologia.
          Já se foi o tempo, quando, por motivos econômicos e políticos, mulheres aceitavam piamente homens preconceituosos e radicalmente machistas fazê-las submissas ao jugo opressor do preconceito. Incompreensível ainda encontrar mulher que é indiferente a esses repudiáveis tratos; sobretudo quando, verbal e ostensivamente, partem de quem esteja exercendo ou a exercer funções públicas e de serviço à sociedade. Revolta-nos rever filme em que a alemã judia, vítima de preconceito racial, candidata à câmera de gás ou a um tiro na nuca, chame Adolfo Hitler de “o nosso führer”. Somente o masoquismo explicaria isso: a vítima beijar o chicote que a chicoteia. Outra explicação: a ideologia e a religião têm muita força... É por isso que, em períodos eleitorais, dirigentes eclesiásticos são procurados ou se oferecem a certos candidatos, firmando pacto, à guisa de orientação espiritual, para pregarem aos seus “fiéis” o “voto cabresteado”; o que as ovelhas deveriam não aceitar, pois igreja não é curral, tampouco eleitoral.
          Às mulheres era negado o direito de votar, somente os homens votavam. Mas, depois de muita luta, em 1932, elas conquistaram tal direito que, em 1946, tornou-se obrigatório. Em eleições convocadas por Getúlio Vargas, elegeu-se a primeira mulher como deputada federal: a médica paulista Carlota Pereira de Queiroz. Assim continuou, até se ter a primeira mulher como Presidente da República. Liberdade é coisa divina, sagrada. Nesse sentido, as mulheres unidas, na rua, continuam conquistando respeito, direitos e a liberdade de saber votar.


 
Damião Ramos Cavalcanti
Enviado por Damião Ramos Cavalcanti em 28/09/2018

Música: Adágio - Albinoni

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Damião Ramos Cavalcanti). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras
http://www.drc.recantodasletras.com.br/index.php