Damião Ramos Cavalcanti

Enquanto poeta morrer, a poesia haverá de viver

Textos


                             Política para não ser idiota
  
          Prefiro um divino banquete ao prato que o diabo preparou: o dualismo de ser do bem ou ser do mal. Esse imperativo, sempre presente em certos catecismos, não lhe dá alternativas, nem liberdade para ir aonde quiser, submetendo-o a uma bifurcação, sem opção de outros caminhos. O maniqueísmo foi fundado por Maniu Maquineu, no século III, e disseminado pelo Império Romano para facilmente imperar, assim usado até os dias de hoje.
          Quando era adolescente, já observava o mundo que nos era imposto; apesar da existência de inúmeras nações, somente duas se consagravam “imperialistas”, sustentadas pela “guerra fria”, por um odioso dualismo: Estados Unidos ou União Soviética. Você deveria ser considerado prosélito de um desses dois. Para tal rígida divisão de ideias, surgiam os adeptos para classificar você: favorável ou contra? Repetia-se a Igreja, nos tempos da Inquisição: Esta e não aquela religião... Mas Deus fez existirem muitas religiões, como se fossem diferentes línguas para conversarmos com Ele; e Ele, ao compreender todas, deu-nos liberdade religiosa e ofereceu-nos liberdade política...
          Contudo, hoje, repetem-se coisas indesejáveis, traçam no nosso país uma divisória, como a do Tratado de Tordesilhas: o lado de lá e o lado de cá; quem for lado de cá não pertence ao lado de lá. Essa discriminação maniqueísta mata ideias e boas ações; restringe a nossa liberdade, e nos traz a vergonha da “república das bananas”, das malversadas “democracias”.
          Há até quem pergunte: você é do bem ou é do mal? Tal interrogatório, na maquinada realidade, aumenta o medo e revigora tal dualismo mefistofélico, o alfabeto reduzido a duas letras: ‘a’ ou ‘b’; as nossas expressões, a duas palavras... Que essa “infantilidade política” leia “Política para não ser idiota”, de Renato Janine e Mário Sérgio Cortella. Melhor do que apenas duas cores, o azul ou o encarnado da lapinha do ‘seu’ Genaro, são o mundo maravilhoso do arco-íris e a liberdade de desejarmos muitas outras cores em diversas tonalidades.
Damião Ramos Cavalcanti
Enviado por Damião Ramos Cavalcanti em 19/10/2018
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